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Posts Tagged ‘Marcel Duchamp’

Apesar de tudo que você diz, eu gosto dessa solidão no ateliê, solidão que no fundo não passa de uma revisita à minha própria individualidade, dando a sensação de liberdade entre quatro paredes. Mas, se você quiser ser uma com essa minha liberdade, há espaço para dois. E uma liberdade ainda maior nascerá disso, já que a sua protegerá e aumentará a minha, espero, e vice-versa.

O trecho acima é uma tradução da Folha de São Paulo de uma das 35 cartas enviadas pelo revolucionário Marcel Duchamp à sua amada, a brasileira Maria Martins.  Ele, o dadaísta irreverente que questionou todos os valores do mundo pós-guerra.  Colocou bigodes na Gioconda de Leonardo para criticar a apreciação do senso comum e assinou objetos do cotidiano transformando-os em arte para criar o conceito do ready made. A sorte da arte conceitual estava lançada. Ela, moça fina da alta sociedade.  Escultora surrealista incompreendida no Brasil dos concretistas. Recebia boas críticas, no entanto, na Europa encantada com os mitos amazônicos e ancestralidade tropical – temas recorrentes em sua obra.

"O Impossível" - Maria Martins

"Monalisa" - Marcel Duchamp

Ela era casada com o diplomata Carlos Martins Pereira e Sousa, mas ambos (dizem) mantinham uma relação aberta, o que permitia relações extraconjugais sem muito drama.  Maria manteve, então, uma relação íntima com Duchamp que a ajudou na carreira internacional e com quem dividia detalhes de seu processo criativo. No ano passado o Philadelphia Art Museum publicou um livro com todas as cartas guardadas pela família de Maria. Uma leitura que verve aprova.

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Anos 20. Anos loucos. Kiki de Montparnasse viveu intensamente a Paris boêmia e tornou-se ícone tanto na arte como na moda! Foi modelo, vedete, cantora e pintora, mas não há como negar que seu talento era ser a mais vervianas das mulheres: é muito conhecida por ter sido musa do fotógrafo surrealista Man Ray e vários outros artistas importantes de sua época.

A novidade é que mês passado a editora Galera Record lançou um livro bacanérrimo sobre ela. Todas as aventuras de Kiki são contadas na biografia em quadrinhos: ilustrada por Catel Muller e escrita por Jose-Louis Bocquet. É uma boa dica para presentear alguém querido…

A moça nasceu em 1901 na região de Borgonha, onde foi criada pela avó. Aos 12 anos mudou-se para a cidade luz, como todos que sonhavam com os avanços da Revolução Industrial. A vida, porém, não era fácil e Kiki acabou vivendo muito tempo nas ruas de Montparnasse – bairro dos artistas. O amigo Kisling fez suas primeiras pinturas, que conquistaram os intelectuais pelos traços exóticos e sensuais. No meio deste burburinho, ela conhece Man Ray,  affair de sua vida.

“Le violon d'Ingres” - Man Ray

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